Historial

Reza a história, foi a 24 de Fevereiro, após dois anos da Independência de Angola, sete Igrejas reunidas na Igreja Central Metodista Unida fundaram em Luanda esta organização ecuménica de Igrejas com a finalidade de desenvolver e estreitar a cooperação entre elas em Angola antes distanciadas; Servir de elo de ligação entre os seus membros constituintes e outras organizações nacionais e internacionais congéneres e também com o Estado sempre que necessário.

Os membros co-fundadores do CICA são: O Conselho das Igrejas Evangélicas de Angola Central, actual Igreja Evangélica Congregacional (IECA), Igreja Metodista Unida (IMUA), Igreja Evangélica Baptista (IEBA), Igreja Evangélica de Angola (IEA), Igreja Evangélica do Norte de Angola hoje, Igreja Evangélica Reformada (IERA); Missão Evangélica Pentecostal (MEPA) e a Igreja Kimbanguista.

Entretanto, após a sua fundação, em Maio do mesmo ano, o Conselho elege os seus principais dirigentes, sendo Presidente o Bispo Emílio de Carvalho, Vice-presidente, Revº Henriques Etaungo Daniel e Secretário Geral, o Revº Daniel Ntoni-Nzinga.

Apesar do seu crescimento em número de Igrejas membros e em actividades, a sua primeira designação não abrangia as demais Igrejas cristãs de outras correntes que não levava o nome “evangélica”.

Diante deste novo quadro, ressalta aos nossos olhos um CICA aguerrido e cada vez mais progressista, pronto a adaptar-se aos desafios actuais que a era da globalização impõe, sem abdicar dos seus princípios ecuménicos, essencialmente cristãos.

Do CAIE para CICA

Visto que a marcha ecuménica continua imparável, em Julho de 1992, as Igrejas reunidas na sua 17ª Assembleia Geral decidiram integrar as demais denominações e organismos cristão em prol da unidade que na altura se fazia sentir no país, numa fase de transformações e da democracia pluralista. Assim sendo, a Assembleia optou que o CAIE passasse a designar-se por CICA.

Actualmente, o CICA conta com 19 Igrejas e 2 instituições religiosas. Para admissão, outros processos encontram-se em estudo.

Assistência e Desenvolvimento, Educação Teológica e Treinamento, Formação da Mulher e da Juventude, Comunicação e Informação, Evangelismo para Unidade, Justiça, Paz e Reconciliação, Saúde Comunitária e a luta contra o HIV/SIDA e Malária, são programas principais do Conselho.

Nas Províncias, o CICA está representado pelas Comissões Ecuménicas de Cooperação (CEC’s), formadas pelas Igrejas locais membros do Conselho.

Desde a fundação do Conselho, já foram Secretários Gerais deste barco ecuménico de Igrejas em Angola, os Reverendos Daniel Ntoni-Nzinga da Igreja Evangélica Baptista (IEBA), José Belo Chipenda e Augusto Chipesse da Igreja Evangélica Congregacional (IECA), Bispo Gaspar João Domingos e Revº Francisco Bernardo Neto da Igreja Metodista Unida (IMUA). Revº Luís Nguimbi, da Igreja Evangélica de Angola (IEA). Actualmente a marcha ecuménica do Conselho é dirigida pela Revª Deolinda Dorcas Teca, da Igreja Evangélica Reformada de Angola, (IERA).

É de realçar que continuam boas, as relações de parcerias existentes entre o Conselho e as instituições do Estado.

No quadro de parceria, o CICA trabalhou lado a lado com a CEAST e a Aliança Evangélica de Angola (AEA) na fundação do Comité Inter-Eclesial para a Paz em Angola, COIEPA, cujas acções marcaram a contribuição das Igrejas no processo da Paz no nosso país.

Idoneidade no ecumenismo

O CICA, Conselho de Igrejas Cristãs em Angola, outrora Conselho Angolano de Igrejas Evangélicas (CAIE) não mede esforços no seu trabalho com as Igrejas cujos resultados continuam a ser visíveis em prol de um ecumenismo activo e holístico em Angola.

Dissemos ser um ecumenismo activo, por pautar na busca da unidade das Igrejas, que respeita a diversidade de dons e tradição, e que considera serem fundamentais para o completo exercício da obra. É também holístico, por identificar e definir com precisão, os níveis de cooperação a desenvolver entre as denominações cristãs e demais actores da sociedade angolana.

Como se pode imaginar, a tarefa de conectar diferentes instituições religiosas, não é fácil, porém, apesar da sua complexidade, o CICA provou a Igreja e a sociedade angolana, aos parceiros nacionais e internacionais que, está a altura dos objectivos que ocasionou a sua criação.

São, 38 anos! Quem viu em 1977 a criação do Conselho e o vê hoje, certamente notará uma grande diferença. O CICA cresceu em termos de número de membros, dos Departamentos, Centros Ecuménicos, Comissões Ecuménicas de Cooperação, Programas de trabalho e da consciência da sua responsabilidade.

Com determinação, paciência e saber fazer, o CICA avança e, passo a passo vai convencendo os corações de homens e mulheres de que, Angola que sonhamos ser só será realidade na real cooperação. Pelo que, somos constrangidos a dialogar, a partilhar, a discutir as diferenças com respeito de opinião e, consensualmente ensaiarmos os resultados da discussão que achamos oportunas para a marcha que desenvolvemos.

É nesta dinâmica que o CICA engajou diálogo e trabalho útil com as Igrejas e instituições eclesiásticas irmãs, com organizações da sociedade civil e Governo. Os resultados desta experiência, já falam por si. O povo angolano, orgulha-se de ter uma Igreja que, sabe concertar-se e unir-se nos momentos decisivos, para levantar a voz sobre os problemas da vida comum. Uma Igreja que, sem receios e enormes exercícios de sensibilização, sabe hoje colocar de lado os programas locais e valores denominacionais para levantar mais alto a Santa causa da Cruz de Cristo e realizar cultos ecuménicos, que tamanhos benefícios dão ao país em termos de bênção espirituais e de visibilidade de uma Igreja una, corpo de Cristo.

Em termos humanos, o CICA atingiu a idade adulta e a maturidade que lhe permite assumir e responder pelos seus actos.